Nariz e respiração

Sinusite: como diferenciar de um resfriado que não passa

Dra. Aléxia Rezende GarciaCRM-MG 101.318RQE 6810629 de abril de 20265 min de leitura
Sinusite: como diferenciar de um resfriado que não passa

A sinusite costuma ser suspeitada quando os sintomas nasais persistem por mais de dez dias sem melhora, são muito intensos desde o início ou pioram após uma aparente recuperação. Congestão nasal, secreção, pressão facial e redução do olfato podem ocorrer, mas o tempo de evolução é fundamental para diferenciar os quadros.

O que são os seios da face

Os seios da face são cavidades preenchidas por ar dentro dos ossos ao redor do nariz, olhos e testa. Eles se comunicam com o nariz por pequenas aberturas e são revestidos pela mesma mucosa, o tecido úmido que produz secreção e ajuda a filtrar o ar inspirado.

O termo mais preciso é rinossinusite, pois a inflamação geralmente atinge o nariz e os seios da face ao mesmo tempo. No dia a dia, porém, é comum chamarmos esse quadro de sinusite.

Quando há um resfriado, alergia ou irritação da mucosa, essa região pode inchar. Com isso, a drenagem natural das secreções fica prejudicada, causando nariz entupido, coriza, pressão ou dor na face e alteração do olfato. Na maior parte das vezes, esse processo é viral e melhora sozinho.

A presença de catarro amarelado ou esverdeado, isoladamente, não confirma uma infecção bacteriana. A cor da secreção pode mudar durante a resposta inflamatória de um resfriado viral, sem que isso signifique necessidade de antibiótico.

Resfriado, rinite e sinusite: a linha do tempo dos sintomas

O resfriado comum é uma infecção viral das vias aéreas superiores. Costuma começar com irritação na garganta, espirros, coriza, congestão nasal e mal-estar. Em geral, os sintomas atingem maior intensidade nos primeiros dias e começam a melhorar em cerca de uma semana, embora a tosse possa durar mais.

A rinite é uma inflamação do nariz. Pode ser alérgica, quando há gatilhos como poeira, ácaros, mofo, pelos de animais ou pólen, ou não alérgica, relacionada a irritantes, mudanças de temperatura e outros fatores. Coceira nasal, espirros em salva, coriza clara e olhos lacrimejantes favorecem a hipótese de rinite alérgica.

A rinossinusite viral acompanha muitos resfriados e pode provocar sensação de peso na face, secreção e nariz obstruído. Isso não significa que o quadro tenha “virado bactéria”. Eu observo principalmente a evolução: espera-se uma melhora gradual ao longo dos dias.

A suspeita de sinusite bacteriana aumenta em três situações:

  • sintomas nasais e faciais por dez dias ou mais, sem melhora clínica;
  • quadro intenso desde o começo, com febre alta, secreção purulenta e dor facial importante por alguns dias consecutivos;
  • piora após uma melhora inicial, o chamado padrão de dupla piora.

Também vale lembrar que dor ou pressão facial pode ocorrer por enxaqueca, tensão muscular, problemas dentários e outras causas. Por isso, os sinusite sintomas precisam ser analisados em conjunto, e não apenas por um sinal isolado.

Sinais que apontam para sinusite bacteriana

A sinusite bacteriana aguda é menos frequente do que a viral. Ela pode ocorrer quando a inflamação e o acúmulo de secreção favorecem a proliferação de bactérias nos seios da face.

Os sintomas mais sugestivos incluem obstrução nasal persistente, secreção nasal espessa ou secreção escorrendo para a garganta, dor ou pressão na face, redução do olfato e desconforto que piora ao abaixar a cabeça. A dor pode ser localizada na testa, nas maçãs do rosto, entre os olhos ou nos dentes superiores, dependendo do seio da face acometido.

Febre pode estar presente, mas não ocorre em todos os casos. O mais importante é avaliar a duração, a intensidade e a trajetória dos sintomas. Uma secreção colorida por três ou quatro dias durante um resfriado, por exemplo, é diferente de uma secreção persistente associada a piora clínica após mais de uma semana.

O diagnóstico costuma ser clínico, feito pela história e pelo exame otorrinolaringológico. Tomografia não é necessária para toda crise aguda. Eu a reservo, em geral, para sintomas persistentes, recorrentes, suspeita de complicação, planejamento cirúrgico ou dúvida diagnóstica.

Quando o antibiótico é necessário

Antibióticos agem contra bactérias, não contra vírus. Portanto, não ajudam no resfriado comum nem na maioria das rinossinusites agudas dos primeiros dias. O uso sem indicação pode causar efeitos adversos, como diarreia e reações alérgicas, além de contribuir para resistência bacteriana.

Quando o quadro atende aos critérios de provável infecção bacteriana, o antibiótico pode ser indicado após avaliação médica. A escolha do medicamento, a dose e o tempo de tratamento dependem de fatores como alergias, doenças associadas, uso recente de antibióticos, gravidade e histórico individual.

Em casos leves e com acompanhamento possível, pode haver orientação de observação por curto período, associada a medidas para alívio dos sintomas. Em outros, especialmente quando há sintomas intensos ou persistentes, o tratamento é iniciado prontamente.

Medidas que costumam ajudar incluem hidratação, lavagem nasal com solução salina, analgésicos quando apropriados e tratamento da rinite de base. Corticoides nasais, medicamentos anti-inflamatórios de ação local aplicados no nariz, podem ser úteis em pessoas selecionadas, sobretudo se houver rinite alérgica ou inflamação persistente. Descongestionantes vasoconstritores não devem ser usados por muitos dias, pois podem causar efeito rebote e piorar a obstrução.

Sinusite de repetição: o que investigar

Considero importante investigar quando há episódios frequentes de sinusite aguda, especialmente quatro ou mais crises em um ano com melhora completa entre elas, ou sintomas que permanecem por mais de 12 semanas. Neste último caso, avaliamos a possibilidade de rinossinusite crônica.

A investigação busca entender por que a mucosa está inflamando ou drenando mal. Entre os fatores possíveis estão rinite alérgica sem controle, desvio de septo, aumento de cornetos nasais, pólipos nasais, alterações anatômicas das vias de drenagem, exposição a fumaça, asma, refluxo em casos selecionados e origem dentária para alguns seios da face.

Também avalio o uso repetido de medicamentos, a qualidade do sono, exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos e o histórico de infecções. Em situações específicas, podem ser necessários exame endoscópico nasal, tomografia dos seios da face, avaliação odontológica, testes alérgicos ou investigação imunológica.

Nem toda sinusite de repetição precisa de cirurgia. Muitas pessoas melhoram ao tratar adequadamente a rinite, corrigir hábitos, fazer lavagem nasal de forma regular e usar medicamentos tópicos quando indicados. A conduta deve ser individualizada conforme a causa encontrada.

Como prevenir novas crises

A prevenção começa pelo controle dos fatores que mantêm a mucosa nasal irritada. Para quem tem rinite alérgica, identificar e reduzir os gatilhos é parte importante do cuidado. Capas impermeáveis para colchão e travesseiro, limpeza com pano úmido e redução de poeira e mofo podem ajudar em alguns casos.

A lavagem nasal com solução salina é uma medida simples para remover secreções, crostas, partículas e alérgenos. Ela pode ser feita com soro fisiológico estéril ou preparado de forma segura com água previamente fervida e resfriada, seguindo orientação adequada. O dispositivo deve ser mantido limpo e seco entre os usos.

Também recomendo evitar fumaça de cigarro, vaporizadores com substâncias irritantes e exposição desprotegida a poeiras. Manter boa hidratação, sono regular e vacinação em dia reduz parte dos fatores associados a infecções respiratórias.

Se há obstrução nasal constante, perda persistente do olfato, ronco importante ou crises recorrentes, vale fazer uma avaliação. O objetivo não é tratar apenas cada episódio, mas identificar a causa que favorece a repetição e construir um plano de controle realista.

Quando procurar um otorrino

  • Sintomas nasais e faciais por mais de 10 dias, sem melhora progressiva.
  • Piora importante após uma aparente melhora do resfriado.
  • Febre alta persistente associada a dor facial intensa e secreção nasal.
  • Inchaço ou vermelhidão ao redor dos olhos, alteração visual ou dor ao movimentar os olhos.
  • Crises frequentes, perda de olfato persistente ou sintomas por mais de 12 semanas.

Em resumo

  • Resfriados e rinossinusites virais são mais comuns e geralmente melhoram sem antibiótico.
  • A duração dos sintomas e o padrão de piora ajudam mais do que a cor da secreção isoladamente.
  • Sinusite bacteriana é mais provável em sintomas persistentes, intensos ou com dupla piora.
  • Lavagem nasal e controle da rinite podem reduzir desconforto e prevenir recorrências.
  • Cirurgia não é necessária na maioria dos casos e só é considerada após investigação adequada.

Perguntas frequentes

Sinusite é contagiosa?+

A sinusite em si não é considerada contagiosa. O que pode ser transmitido é o vírus que causou um resfriado e desencadeou a inflamação nasal inicial. Por isso, uma pessoa com coriza, tosse, dor de garganta ou febre nos primeiros dias deve adotar cuidados como lavar as mãos, cobrir tosse e espirros e evitar contato próximo com pessoas vulneráveis. Já a sinusite bacteriana secundária não costuma passar diretamente de uma pessoa para outra.

Toda sinusite precisa de antibiótico?+

Não. A maioria dos quadros agudos está relacionada a vírus e melhora com medidas de suporte, como lavagem nasal, hidratação e controle da dor quando necessário. O antibiótico é considerado quando há sinais clínicos de provável infecção bacteriana, como sintomas por mais de dez dias sem melhora, febre alta e dor facial intensa no início, ou piora após uma recuperação inicial. A decisão deve ser médica, pois o uso inadequado traz riscos e não acelera a melhora de infecções virais.

Dor de cabeça é sempre sinusite?+

Não. Dor de cabeça é muito comum e tem diversas causas, entre elas enxaqueca, cefaleia tensional, alterações do sono, problemas visuais, pressão alta em situações específicas e uso excessivo de analgésicos. A dor relacionada à rinossinusite costuma vir acompanhada de obstrução nasal, secreção e outros sintomas nasais, além de seguir uma evolução compatível com infecção ou inflamação. Enxaqueca, por exemplo, pode causar pressão na face e congestão, sendo confundida com sinusite.

Lavagem nasal ajuda?+

Sim. A lavagem nasal com solução salina ajuda a fluidificar e remover secreções, crostas, partículas e alérgenos, contribuindo para aliviar a obstrução e melhorar a higiene nasal. Ela é útil tanto em resfriados quanto no controle da rinite e em algumas pessoas com rinossinusite recorrente. É importante usar soro fisiológico apropriado e manter o frasco ou irrigador limpo. Para preparar solução em casa, a água deve ser previamente fervida e resfriada ou adequadamente tratada.

Quando a cirurgia é indicada?+

A cirurgia pode ser considerada em rinossinusite crônica ou recorrente quando há sintomas relevantes apesar de tratamento clínico bem realizado e quando exames mostram alterações que dificultam a ventilação e a drenagem dos seios da face. Pólipos nasais, algumas alterações anatômicas e determinadas complicações também podem influenciar essa decisão. Não é o primeiro tratamento para uma crise aguda comum. Antes de indicar um procedimento, avalio sintomas, endoscopia nasal, tomografia quando necessária e as condições associadas, como rinite e asma.

Dra. Aléxia Garcia

Dra. Aléxia Rezende Garcia

Otorrinolaringologista · Plástica Facial · CRM-MG 101.318 · RQE 68106

Atendo em Uberlândia — MG, com foco em respiração, sono e cirurgia nasal funcional e estética. Explico cada indicação antes de propor qualquer cirurgia.

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