Ouvido e audição

Ouvido tampado: as causas mais comuns e quando é urgência

Dra. Aléxia Rezende GarciaCRM-MG 101.318RQE 6810608 de julho de 20265 min de leitura
Ouvido tampado: as causas mais comuns e quando é urgência

A sensação de ouvido tampado costuma estar relacionada ao acúmulo de cera, resfriados, alergias ou mudanças de pressão. Porém, quando surge de forma súbita, especialmente com perda de audição, zumbido intenso, tontura ou dor importante, precisa de avaliação médica rápida.

O que significa a sensação de ouvido tampado

A sensação de ouvido tampado não é um diagnóstico, mas um sintoma. Algumas pessoas descrevem pressão, audição abafada, estalos ao engolir ou a impressão de que há água dentro do ouvido.

Ela pode acontecer quando há uma barreira no canal auditivo, alteração na vibração do tímpano ou dificuldade para equilibrar a pressão entre o ouvido e o ambiente. Nem sempre existe uma obstrução visível.

O ouvido é dividido em orelha externa, orelha média e orelha interna. Cada uma dessas regiões pode estar envolvida, e os sintomas associados ajudam a direcionar a causa. Dor, coceira, secreção, febre, zumbido, tontura e redução auditiva têm significados diferentes na avaliação.

Em muitos casos, o problema melhora com tratamento clínico e não precisa de cirurgia. O importante é não tentar remover objetos ou cera em casa, pois isso pode empurrar o material para mais perto do tímpano ou causar lesão.

Causas na orelha externa

A causa mais comum de ouvido tampado na orelha externa é o acúmulo de cerúmen, popularmente chamado de cera. O cerúmen tem função de proteção e limpeza do canal auditivo, mas pode se compactar e bloquear parcialmente ou totalmente a passagem do som.

O uso frequente de hastes flexíveis, grampos, tampas de caneta ou outros objetos favorece essa compactação. Embora pareça que esses itens “limpam” o ouvido, geralmente eles empurram a cera para dentro. Por isso, não recomendo introduzir objetos no canal auditivo.

Outras possibilidades incluem:

  • água retida após banho, piscina ou mar;
  • inflamação do canal auditivo, chamada otite externa;
  • descamação da pele, dermatite ou eczema;
  • corpo estranho, mais comum em crianças;
  • inchaço do canal após trauma local.

A otite externa costuma causar dor ao tocar ou puxar a orelha, coceira, sensação de bloqueio e, às vezes, secreção. Ela precisa de exame para confirmar o diagnóstico, porque gotas inadequadas podem irritar a pele ou não ser seguras se houver perfuração do tímpano.

Causas na orelha média e a trompa de Eustáquio

A orelha média é a região atrás do tímpano, onde ficam pequenos ossos responsáveis pela condução do som. Ela se comunica com o nariz pela trompa de Eustáquio, um canal que ajuda a equilibrar a pressão e a ventilar essa área.

Quando a trompa de Eustáquio não funciona bem, ocorre a chamada disfunção tubária. É comum durante resfriados, rinite alérgica, sinusites e crises nasais, porque a mucosa fica inchada. A pessoa pode sentir estalos, pressão, ouvido abafado e piora ao mudar de altitude.

Também pode haver líquido atrás do tímpano, situação conhecida como otite média com efusão. Nem sempre há dor ou febre; às vezes, a principal queixa é escutar menos e sentir o ouvido cheio. Em crianças, essa condição pode interferir temporariamente na audição e merece acompanhamento, especialmente se for persistente.

A otite média aguda, por sua vez, costuma causar dor mais intensa, febre e mal-estar, sobretudo após infecção respiratória. Nem toda dor de ouvido é otite, e nem toda otite exige antibiótico. A decisão depende da idade, do exame físico, da duração dos sintomas e dos sinais de gravidade.

Em adultos, líquido persistente em apenas um ouvido sem uma causa evidente deve ser investigado pelo otorrinolaringologista. Isso não significa necessariamente algo grave, mas exige uma avaliação cuidadosa da região nasal e da nasofaringe.

Ouvido tampado em viagem de avião e mergulho

Durante a decolagem e, principalmente, a aterrissagem, a pressão do ambiente muda rapidamente. Se a trompa de Eustáquio não abre bem, o tímpano fica sob tensão e pode surgir dor, pressão ou audição abafada. Esse quadro é chamado de barotrauma, isto é, uma lesão relacionada à diferença de pressão.

Engolir, bocejar, mascar chiclete ou beber pequenos goles de água pode ajudar a abrir a trompa de Eustáquio. Em bebês, oferecer mamada ou líquido durante a descida, quando apropriado, pode favorecer a deglutição.

A manobra de Valsalva consiste em fechar a boca, pinçar suavemente o nariz e fazer uma expiração leve, sem forçar. Ela pode ajudar algumas pessoas, mas nunca deve causar dor e não deve ser repetida com força. Assoar o nariz vigorosamente pode aumentar a pressão e piorar o desconforto.

Quem está com gripe intensa, congestão nasal importante, sinusite ou otite deve conversar com um médico antes de viajar de avião ou mergulhar. No mergulho, a compensação precisa ser feita cedo e de maneira progressiva. Se houver dor ou dificuldade para equalizar a pressão, a orientação é interromper a descida, e não insistir.

Após o voo ou mergulho, sintomas leves podem melhorar em horas ou poucos dias. Dor persistente, sangramento, vertigem ou queda importante da audição exigem avaliação.

Quando o sintoma indica urgência

A maior parte dos episódios de ouvido tampado não é uma emergência, mas há situações em que o atendimento deve ser rápido. A principal delas é a perda auditiva súbita, percebida como redução importante da audição em um ouvido, que pode vir acompanhada de zumbido ou sensação de pressão.

A perda auditiva neurossensorial súbita é uma redução de audição causada por alteração no ouvido interno ou no nervo auditivo. Ela pode ser confundida com cera ou congestão nasal, mas precisa de avaliação idealmente nas primeiras 24 a 72 horas, pois o tratamento precoce pode influenciar a recuperação.

Procuro também valorizar sintomas neurológicos, como alteração na fala, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para andar ou visão dupla. Embora sejam incomuns, eles exigem atendimento de emergência.

Dor muito forte, febre alta, saída de pus ou sangue, inchaço atrás da orelha, tontura intensa, vômitos persistentes ou sintomas após trauma também não devem ser acompanhados apenas em casa.

Como é a avaliação

Na consulta, começo pela história dos sintomas: quando surgiram, se houve gripe, alergia, contato com água, voo, mergulho, dor, secreção, zumbido ou tontura. Essas informações ajudam a diferenciar causas do canal auditivo, do tímpano e do ouvido interno.

Em seguida, examino o ouvido com otoscópio, aparelho que permite visualizar o canal auditivo e o tímpano. Posso identificar cera impactada, inflamação, perfuração, retração do tímpano ou sinais de líquido na orelha média.

Quando há queixa de redução auditiva, a audiometria pode ser necessária. Esse exame mede os limiares de audição e ajuda a definir se a alteração é condutiva, quando o som encontra uma barreira para chegar ao ouvido interno, ou neurossensorial, quando envolve o ouvido interno ou o nervo auditivo.

A imitanciometria, também chamada de timpanometria, avalia a mobilidade do tímpano e auxilia na investigação de pressão alterada ou líquido na orelha média. Em casos selecionados, posso solicitar avaliação nasal, exames de imagem ou outros testes.

O tratamento depende da causa: a remoção segura de cera é feita no consultório quando indicada; inflamações podem precisar de medicações específicas; e alterações relacionadas à rinite ou à trompa de Eustáquio costumam ser tratadas de forma clínica. Cirurgia não é necessária na maioria dos casos.

Sinais de alerta

  • Perda de audição súbita, principalmente em um único ouvido.
  • Ouvido tampado com zumbido novo e intenso, tontura forte ou desequilíbrio.
  • Dor intensa, febre alta, secreção com pus ou sangramento pelo ouvido.
  • Inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha.
  • Alteração na fala, fraqueza no corpo, visão dupla ou dificuldade para caminhar.

Em resumo

  • Cera, água, inflamações, rinite e mudanças de pressão estão entre as causas mais frequentes.
  • Evite hastes flexíveis e outros objetos dentro do canal auditivo.
  • Resfriados e alergias podem prejudicar a função da trompa de Eustáquio temporariamente.
  • Perda auditiva súbita, zumbido intenso e tontura exigem avaliação rápida.
  • A causa é definida pelo exame do ouvido e, quando necessário, por testes auditivos.

Perguntas frequentes

Assoar o nariz com força ajuda a destampar?+

Não é uma boa estratégia. Assoar o nariz com muita força pode aumentar a pressão na região da trompa de Eustáquio e, em algumas situações, levar secreções do nariz em direção ao ouvido médio. Se houver congestão, prefira assoar suavemente uma narina por vez, manter hidratação e tratar a causa nasal quando indicada. Se a sensação de bloqueio persistir, especialmente com dor ou redução importante da audição, é melhor fazer uma avaliação.

Ouvido tampado depois de gripe é normal?+

É relativamente comum após gripe ou resfriado, porque a inflamação do nariz pode comprometer temporariamente a abertura da trompa de Eustáquio. A sensação pode durar alguns dias e vir acompanhada de estalos ou pressão. Porém, não deve ser ignorada se houver dor forte, febre, secreção, piora progressiva ou perda auditiva importante. Se o sintoma não estiver melhorando após uma ou duas semanas, vale consultar um otorrinolaringologista.

Quanto tempo posso esperar?+

Se a sensação for leve, começou após gripe, banho ou viagem de avião e estiver melhorando, geralmente é possível observar por alguns dias. Já a perda de audição que aparece de repente, sobretudo em um ouvido, deve ser avaliada no mesmo dia ou o mais rapidamente possível. Dor intensa, secreção, febre, vertigem ou sintomas após mergulho e trauma também justificam atendimento sem esperar. A duração aceitável depende sempre dos sintomas associados e da evolução.

Ouvido tampado com zumbido é grave?+

Nem sempre. O zumbido pode ocorrer com cera, alterações de pressão e inflamações passageiras. No entanto, zumbido novo acompanhado de redução súbita da audição, principalmente em apenas um ouvido, merece urgência na avaliação. Também é importante procurar atendimento rápido se o zumbido vier com tontura intensa, desequilíbrio, dor forte ou sintomas neurológicos. Um exame do ouvido e uma audiometria ajudam a identificar se há alteração que precise de tratamento imediato.

Existe manobra segura para destampar?+

Em situações de mudança de pressão, como voo, engolir, bocejar, mascar chiclete ou beber água costuma ser seguro e pode ajudar. Algumas pessoas realizam uma Valsalva suave: fecham a boca, pinçam o nariz e fazem uma expiração bem leve. Ela não deve provocar dor nem ser feita com força. Evite insistir se estiver com infecção respiratória importante, dor, secreção ou após trauma. No mergulho, não force a compensação; interrompa a descida se não conseguir equalizar a pressão.

Dra. Aléxia Garcia

Dra. Aléxia Rezende Garcia

Otorrinolaringologista · Plástica Facial · CRM-MG 101.318 · RQE 68106

Atendo em Uberlândia — MG, com foco em respiração, sono e cirurgia nasal funcional e estética. Explico cada indicação antes de propor qualquer cirurgia.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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