Ouvido e audição

Zumbido no ouvido: causas, investigação e o que existe de tratamento

Dra. Aléxia Rezende GarciaCRM-MG 101.318RQE 6810611 de março de 20267 min de leitura
Zumbido no ouvido: causas, investigação e o que existe de tratamento

O zumbido é a percepção de um som sem fonte externa, como chiado, apito ou pulsação. Pode estar relacionado à audição, exposição a ruído, medicamentos, alterações da mandíbula, estresse e outras condições. A investigação otorrinolaringológica identifica sinais de alerta e orienta medidas para reduzir seu impacto.

O que é o zumbido

O zumbido no ouvido é a percepção de um som que não está presente no ambiente. Algumas pessoas descrevem chiado, apito, barulho de panela de pressão, cigarra, clique ou sensação de pulsação.

Ele pode ser percebido em um ouvido, nos dois ou dentro da cabeça. Também pode ser contínuo, aparecer em determinados momentos ou variar de intensidade ao longo do dia.

Na maior parte das vezes, trata-se de um zumbido subjetivo, isto é, um som percebido apenas pela própria pessoa. Mais raramente, há causas objetivas, em que um ruído produzido por estruturas próximas ao ouvido pode ser identificado durante a avaliação médica.

O zumbido não é uma doença isolada: é um sintoma. Por isso, o tratamento depende de entender sua possível origem, sua associação com a audição e o quanto ele interfere no sono, na concentração, no trabalho e no bem-estar.

Nem todo zumbido indica um problema grave. Ainda assim, um sintoma novo, persistente ou associado a perda auditiva merece avaliação com otorrinolaringologista.

Principais causas

Uma das associações mais frequentes é a perda auditiva, especialmente a relacionada ao envelhecimento ou à exposição acumulada a sons intensos. Quando há redução na chegada de sons externos ao cérebro, o sistema auditivo pode aumentar sua sensibilidade e favorecer a percepção do zumbido.

A exposição a ruído intenso pode ocorrer em shows, festas, ambientes de trabalho, academias, oficinas e no uso de fones em volume elevado. Às vezes, o zumbido começa após um evento pontual muito barulhento; em outras situações, aparece depois de anos de exposição.

Outras possibilidades incluem:

  • acúmulo de cerume, conhecido como “cera” no ouvido;
  • inflamações ou alterações do ouvido externo e médio;
  • disfunção da tuba auditiva, estrutura que ajuda a equilibrar a pressão entre ouvido e nariz;
  • otites, quando acompanhadas de dor, secreção ou sensação de ouvido tampado;
  • alterações da articulação temporomandibular, a ATM, articulação que conecta a mandíbula ao crânio;
  • bruxismo, apertamento ou ranger dos dentes;
  • enxaqueca e algumas condições neurológicas;
  • pressão arterial elevada, especialmente quando não está controlada;
  • alterações vasculares, mais lembradas quando o som acompanha os batimentos cardíacos;
  • uso de alguns medicamentos, em situações específicas.

Entre os medicamentos que podem estar relacionados ao zumbido estão alguns anti-inflamatórios, antibióticos específicos, diuréticos, quimioterápicos e doses elevadas de certos analgésicos. Isso não significa que a pessoa deva suspender um remédio por conta própria. A decisão precisa considerar o motivo do tratamento, a dose, o tempo de uso e alternativas seguras.

O zumbido pulsátil, percebido como batimento ou sopro ritmado, merece atenção particular. Embora possa ter causas benignas, pode exigir investigação vascular ou por imagem conforme os achados clínicos.

Relação com audição, estresse e sono

É comum que o zumbido no ouvido esteja associado a algum grau de perda auditiva, inclusive discreta. Muitas pessoas não percebem dificuldade para ouvir no dia a dia, mas relatam maior esforço para entender conversas em locais com ruído, televisão mais alta ou necessidade de pedir repetição com frequência.

A audição e o zumbido compartilham caminhos no sistema nervoso. Quando existe perda auditiva, principalmente em frequências agudas, o cérebro pode modificar a forma como processa os sons. Esse mecanismo ajuda a explicar por que aparelhos auditivos podem beneficiar parte dos pacientes que têm zumbido e perda de audição associada.

Estresse, ansiedade e sobrecarga emocional não significam que o zumbido seja “psicológico” ou imaginário. Eles podem aumentar a atenção dada ao som e tornar a reação a ele mais intensa. Cria-se, por vezes, um ciclo: o zumbido gera preocupação, a preocupação piora o sono e o cansaço faz o zumbido parecer mais presente.

O silêncio costuma acentuar a percepção do sintoma. Por isso, muitas pessoas notam piora à noite, ao deitar, ou em momentos de concentração. Um som ambiente baixo e confortável, como ventilador, ruído de chuva ou música suave, pode ajudar algumas pessoas a não focalizar tanto o zumbido.

Dormir mal não costuma ser a causa única, mas pode amplificar o sofrimento relacionado ao sintoma. Cuidar de horários regulares, reduzir estimulantes no fim do dia e tratar insônia ou apneia do sono, quando presentes, pode fazer parte do plano de cuidado.

Como é a investigação

Na consulta, começo entendendo como o zumbido se manifesta: quando surgiu, se é em um ou ambos os lados, se é contínuo, se pulsa junto com o coração e se veio acompanhado de tontura, dor, secreção, sensação de pressão ou perda auditiva.

Também avalio exposição a ruído, hábitos de sono, estresse, doenças clínicas, histórico familiar, uso de medicamentos e queixas relacionadas à mandíbula. Em seguida, examino ouvido, nariz, garganta, cabeça e pescoço. A otoscopia é o exame visual do canal auditivo e da membrana timpânica.

A audiometria é um dos exames mais solicitados. Ela mede os limiares auditivos, ou seja, os sons mais baixos que a pessoa consegue perceber em diferentes frequências. Pode mostrar perda auditiva mesmo quando a pessoa ainda não se considera surda.

Dependendo do caso, também podem ser indicados:

  • imitanciometria, exame que avalia a mobilidade do tímpano e o funcionamento do ouvido médio;
  • pesquisa de reflexos acústicos, que complementa a avaliação das vias auditivas;
  • avaliação de fala, para verificar reconhecimento de palavras;
  • exames de sangue, quando a história clínica sugerir uma condição metabólica ou sistêmica;
  • ressonância magnética ou tomografia, em situações selecionadas, como zumbido em apenas um ouvido associado a perda auditiva assimétrica, alterações neurológicas ou zumbido pulsátil.

Exames de imagem não são necessários para todas as pessoas com zumbido. Eles são definidos conforme a história, o exame físico e os resultados auditivos. Da mesma forma, não existe um único exame capaz de medir objetivamente o quanto o zumbido incomoda: a percepção individual e o impacto funcional são partes importantes da avaliação.

Tratamentos disponíveis

O tratamento do zumbido no ouvido é individualizado. Quando existe uma causa tratável, a prioridade é corrigi-la ou controlá-la. Por exemplo, remover cerume impactado, tratar uma inflamação, ajustar um medicamento sob supervisão ou abordar uma alteração da mandíbula pode reduzir o sintoma em determinados casos.

Quando há perda auditiva, os aparelhos auditivos podem ser uma opção importante. Além de melhorar a compreensão dos sons externos, eles podem diminuir o contraste entre o ambiente e o zumbido. Nem toda pessoa com zumbido precisa de aparelho, mas a indicação deve ser considerada quando a audiometria demonstra perda que justifique seu uso.

A terapia sonora utiliza sons externos em volume baixo e confortável para reduzir a percepção de silêncio e facilitar a habituação. Habituação é o processo pelo qual o cérebro passa a dar menos importância a um estímulo repetitivo. Recursos simples, como som ambiente noturno, podem ser úteis para algumas pessoas; em outras, são utilizados programas estruturados de reabilitação auditiva.

A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem psicológica com boa evidência para reduzir o sofrimento, a ansiedade e o impacto funcional relacionados ao zumbido. Ela não busca convencer a pessoa de que o som não existe, mas ajuda a modificar pensamentos, comportamentos e respostas emocionais que mantêm o incômodo.

Estratégias de manejo do estresse, atividade física regular, rotina de sono e técnicas de relaxamento podem complementar o cuidado. Quando há ansiedade, depressão ou insônia importantes, o acompanhamento com profissional de saúde mental pode ser necessário e faz parte de uma abordagem responsável.

Não existe cirurgia para a grande maioria dos casos de zumbido. Procedimentos cirúrgicos só são considerados quando há uma causa anatômica ou vascular específica identificada, e não como tratamento geral para qualquer tipo de zumbido.

O que não funciona

Não há uma medicação universal capaz de eliminar o zumbido em todas as pessoas. Remédios podem ser usados para tratar condições associadas, como insônia, ansiedade, depressão, enxaqueca ou infecções, mas não devem ser apresentados como solução única para o sintoma.

Suplementos, vitaminas, fitoterápicos e produtos divulgados como tratamento do zumbido têm evidência científica limitada ou inconsistente na maioria das situações. Deficiências nutricionais específicas podem ser investigadas e tratadas quando confirmadas, mas tomar suplementos sem indicação não costuma resolver o problema.

Também não recomendo exposição a sons intensos para “mascarar” o zumbido. O som ambiente deve ser confortável; volume alto pode piorar lesões auditivas e aumentar o sintoma.

Evitar completamente todo tipo de som, usar protetores auriculares o tempo inteiro ou permanecer em silêncio absoluto também pode ser prejudicial em algumas situações. Protetores são importantes em ambientes realmente ruidosos, mas seu uso contínuo em locais silenciosos pode aumentar a sensibilidade aos sons do cotidiano.

Por fim, interromper medicamentos prescritos, fazer limpezas caseiras no ouvido ou usar substâncias dentro do canal auditivo pode causar danos. O caminho mais seguro é investigar a causa, reconhecer os fatores que agravam a percepção e construir um plano de tratamento compatível com cada caso.

Sinais de alerta

  • Zumbido que começa de forma súbita junto com perda auditiva, especialmente em um único ouvido.
  • Zumbido pulsátil, sincronizado com os batimentos cardíacos.
  • Zumbido associado a tontura intensa, desequilíbrio importante ou desmaio.
  • Fraqueza no rosto, alteração da fala, visão dupla ou outros sintomas neurológicos.
  • Dor forte, secreção com sangue ou febre associadas a sintomas no ouvido.

Em resumo

  • Zumbido é um sintoma e pode ter diferentes causas, muitas delas relacionadas à audição.
  • Audiometria costuma ser parte central da investigação, mas exames de imagem são indicados apenas em casos selecionados.
  • Aparelhos auditivos, terapia sonora e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar conforme a situação.
  • Estresse e sono ruim podem aumentar o incômodo, mesmo quando não são a causa inicial.
  • Zumbido súbito com perda auditiva, pulsátil ou com sintomas neurológicos exige avaliação rápida.

Perguntas frequentes

Zumbido tem cura?+

Depende da causa. Quando o zumbido está relacionado a uma condição tratável, como cerume impactado, inflamação, alteração de medicamento ou problema de mandíbula, ele pode melhorar após o tratamento adequado. Em casos associados à perda auditiva ou a alterações persistentes do sistema auditivo, o objetivo costuma ser reduzir a percepção e o impacto na rotina. Aparelhos auditivos, terapia sonora, cuidados com sono e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar muitas pessoas a conviver com menos incômodo.

Zumbido é sinal de surdez?+

Não necessariamente, mas zumbido e perda auditiva são frequentemente associados. Algumas pessoas apresentam alteração auditiva discreta, principalmente para sons agudos ou em ambientes barulhentos, sem perceber uma dificuldade evidente no cotidiano. Outras têm zumbido com audição normal na audiometria. Por isso, a avaliação auditiva é importante: ela ajuda a identificar perdas leves, assimetrias entre os ouvidos e possíveis necessidades de reabilitação. Zumbido acompanhado de perda auditiva súbita deve ser avaliado com urgência.

Fone de ouvido causa zumbido?+

O fone de ouvido não causa zumbido por si só quando usado de forma adequada. O risco está principalmente no volume elevado, no tempo prolongado de uso e na exposição frequente a sons intensos. Esses fatores podem lesar estruturas do ouvido interno e favorecer perda auditiva e zumbido. Uma orientação prática é manter volume confortável, fazer pausas e evitar tentar encobrir ruídos externos aumentando demais o som. Em ambientes barulhentos, fones com bom isolamento podem permitir ouvir em volume menor.

Quando procurar com urgência?+

Procure atendimento rapidamente se o zumbido surgir de forma súbita junto com redução da audição, sobretudo em um lado. Também é importante avaliação urgente quando o som acompanha os batimentos cardíacos, quando há vertigem intensa, dificuldade para andar, fraqueza facial, alteração da fala, dor forte, secreção com sangue ou febre. Esses sinais não significam necessariamente uma condição grave, mas precisam ser examinados sem demora para identificar situações que exigem tratamento precoce.

Qual exame é pedido?+

A audiometria é um dos exames mais frequentemente solicitados para quem tem zumbido, pois avalia a capacidade de ouvir diferentes frequências sonoras. Conforme os sintomas e o exame físico, também posso indicar imitanciometria, avaliação de fala e testes complementares da função auditiva. Ressonância magnética ou tomografia não são necessárias para todos os casos. Elas costumam ser consideradas quando há zumbido em apenas um ouvido, perda auditiva desigual entre os lados, sintomas neurológicos ou zumbido pulsátil.

Dra. Aléxia Garcia

Dra. Aléxia Rezende Garcia

Otorrinolaringologista · Plástica Facial · CRM-MG 101.318 · RQE 68106

Atendo em Uberlândia — MG, com foco em respiração, sono e cirurgia nasal funcional e estética. Explico cada indicação antes de propor qualquer cirurgia.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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